RUA GRANDE , DONA GRANDE.
É, dona Grande, lá vem esse tal de “progresso” cutucar a senhora. Vim lhe dizer que querem lhe vestir um paletó preto sobre seu belo manto de pedras. Coisa de gente granfina enxerida, que acha que a senhora vai ficar na moda. Quá quá quá, já pensasse? Diga: “Me vista logo uma mortalha”.
A senhora sabe né, foi esse mesmo “progresso” que poluiu o Capibaribe que lhe banhava. Por que a gente que é mesmo daqui sabe que não foi a senhora que nasceu nas margens dele. Que foi o velho Capiba que escolheu passar nos seus pés diante da sua grandeza. E é uma pena que essa grandeza muitos não reconheçam! Acham que acabar com o que a senhora tem é o que vai lhe fazer bem. Esse tal sujeito foi quem tirou o sussego de nós moradores, de prozearmos tranquilos nas calçadas, de deixar a porta aberta para entrar um vento. Trouxe com ele a tal da violência que chegou fez morada e não arreda o pé por nada. Tirou da senhora a sua centenária feira de mangaio. Aquelas festas de setembro, só saudade. O histórico prédio do açougue do seu lado, até isso o condenado levou. Esse progresso é um féla da puta que nem dizia Corôca.
Repare, nem foram perguntar aos homens entendidos das faculdades como essa camada isolante iria afetar o lençol freático e qual seria o impacto ao longo dos anos para a sobrevivência das gameleiras, seu símbolo. Não bastasse isso, um homem bem sabido lá de São Paulo, o professor da USP Demóstenes F. da Silva, constatou que, em áreas asfaltadas, o microclima da região tende a ter uma elevação de até 5 graus durante a noite. Imagine esse calor do cão durante o dia. É danado!
E veja mesmo dona Grande, há que diga que depois que a senhora estiver vestida com esse paletó, os idosos não irão mais dar trupicão no calçamento, quá quá. Antes perder a cabeça do dedão do que a vida. Com a educação que esse povo tem no transito e uma pista lisa que nem baba de quiabo, não é preciso ter um diploma em Havard pra saber no que isso vai dá. Seus idosos e suas crianças estarão em risco eminente de atropelamento. (que Deus a livre).
Dona Grande, quanto aos insensíveis moradores que ao longo dos anos vem desconstruindo as tuas fachadas. Estão apenas seguindo a cartilha do que o poder público sempre fez, ou seja, nada. Que tardiamente quando vem fazer, é no quilate dessa aberração supracitada. Então, eis a questão, quando o exemplo não vem de cima, não será de baixo que vamos ter algum resultado. É danado dona Grande, e lhe digo outra. Para que outra ideia estúpida como essa venha ser executada, basta que a primeira já tenha sido! É nessas horas que a senhora sente falta de seus guardiões vô Raimundo e tii Zuza, né! Ainda bem que seu Zé, parece até que prevendo tudo isso, tirou bem muita foto da senhora!
Pois é dona Grande, mas o que realmente entristece não é a estupidez da ideia tão somente, mas os aplausos de uma boa parte. Reflexo do desarranjo de uma sociedade carente de cultura, insensível aos seus valores, que perdeu a compreensão da palavra “respeito” por tudo e por todos. E lhe digo, não é preciso ir para os extrangeiros não viu, em lugares próximos daqui, o autor de uma estupidez dessa seria contemplado no mínimo com um exame de sanidade mental. Por que um ignorante é um ignorante aqui ou no Japão.
Mas não tenha medo não, por que o progresso sempre vem, é inevitável. O problema é quando ele vem disfarçado, carregado de segundas intenções, aí dá naquilo tudo que a gente já viu. O verdadeiro progresso ouve, respeita, cuida, preserva e oferta o melhor para tudo e para todos. Tantas ruas na periferia da cidade com esgotos a céu aberto e vem mexer logo com a senhora né.
É que necessidade nunca foi prioridade!
É que necessidade nunca foi prioridade!
“És pequena para tua grandeza, uma avenida de história e beleza, és uma grande rua Grande.”
Pedro Felipe
#DONAGRANDE #RUAGRANDE #SANTACRUZDOCAPIBARIBE
COMPILADO INTEGRAL/ PANDA.


Comentários
Postar um comentário